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Enfim uma publicação
para auxiliar as equipes de solução de problemas existentes nas
empresas. Tais equipes têm hoje uma atuação dispersa e muitas vezes
inadequada por falta de uma metodologia correta. Mesmo quando isto
ocorre são utilizadas aquelas comuns no mercado muitas vezes
transmitidas sem critérios ou pouco treinamento. Estas metodologias
possuem origem no PDCA (Plan-do-check-act) e foram muito difundidas pelo
guru da qualidade W.E.Deming. O IQA – Instituto da Qualidade Automotiva
está lançando o manual CQI-10 Solução Eficaz de Problemas – Uma
Diretriz, originalmente publicado pelo AIAG – Automotive Industry Action
Group em 2006.
Trata-se de um excelente
guia para ser utilizado pelas equipes responsáveis por aplicar os
procedimentos e metodologias de ação corretiva nas empresas e em seus
fornecedores. Traz uma abordagem ampliada para a questão cultural e de
gerenciamento das soluções em diversas situações e níveis hierárquicos.
Assim, trata das atribuições da equipe responsável por solucionar o
problema, os donos destes problemas (supervisores e gerentes das áreas
onde ocorrem) e, as condutas da alta direção para garantir a
efetividades em todas a empresa. Por outro lado aborda as relações com
seus clientes e com seus fornecedores. O manual recicla o clássico 8D,
também denominado por MASP, MSP, PSP, RAC e tantos outros nomes em que
são definidos nos sistemas da qualidade. Adota uma linguagem adequada à
ISO TS 16949:2002 – indicando inclusive quais os requisitos que são
atendidos em cada atividade e, propõem ainda, uma nova linguagem que
satisfaz e integra-se às diferentes metodologias de planejamento da
qualidade adotadas pelas organizações certificadas. Desta forma
proporciona sentido a um conjunto de conhecimentos que são requeridos
dos profissionais que hoje atuam no segmento automotivo. O manual traz
ainda um check-list para avaliação do grau de implementação dos
processos de solução de problemas e, completa com uma descrição de 43
metodologias adequadas e comumente utilizadas. E chega ao desafio de
classificá-las para diferentes níveis de solução de problemas em básico,
intermediário e avançado.
O processo de solução de
problemas recomendado é tratado através de uma série de questões em cada
passo e que buscam respostas efetivas para cada possibilidade. O
interessante é que ao analisar e conduzir as atividades através deste
roteiro prático e objetivo podemos enxergar uma relação direta com
metodologias como APQP, FMEA, M.S.A e CEP. Acrescente-se outras
exigências do sistema da qualidade automotivo como benchmarking,
melhoria contínua e análise crítica. É possível assim visualizar todo o
sistema da qualidade integrado de forma efetiva e focado no desempenho.
O processo começa
com a Notificação do Problema cujas entradas são denominadas Voz
do Cliente e Voz do Processo. O objetivo aqui é avaliar o problema que
se apresenta e, estabelecer a aceitação para prosseguir, formar a equipe
e determinar os impactos para toda a organização. As questões adotadas
levam a acatar o problema para o sistema de ações corretivas existe de
forma adequada como requerido pelas normas de qualidade. O segundo
passo é a Identificação do Problema – aqui começa
efetivamente a solução do problema. Pretende-se compreender o problema
sob diversos aspectos e sua relação direta com o efeito percebido. Será
realizado o entendimento da exigência que não foi cumprida definindo e
quantificando o problema bem como identificando a freqüência, grandezas
e riscos. Uma análise de metas e expectativas é utilizada aqui. Todo
este montante de dados coletados tem agregado uma etapa adicional de
consulta à um banco de dados de lições aprendidas que pressupõem-se
existir na organização, formal ou não. A definição detalhada e
quantificada do problema é a principal saída deste passo.
Estas definições são
utilizadas no passo três para definir se uma Contenção
será necessária. O objetivo é dar tranqüilidade para a equipe de
solução de problemas visando realizar suas atividades. As ações devem
efetivamente implicar em prevenir que não-conformidades entrem no
processo ou sistema, dar proteção ao cliente, identificar focos de
preocupação – pontos onde o problema pode ser percebido e,
principalmente notificar o cliente quando necessário. O controle da
situação evita que ações inadequadas sejam tomadas e restabelece o
fornecimento até que sejam encontradas as causas e ações definitivas
sejam tomadas.
O quarto passo,
eu ouso definir como uma inovação, pela forma em que é apresentada.
Trata-se de executar uma Análise do Modo de Falha. A definição e
quantificação obtida junto à Contenção permitem que seja possível
definir o defeito ou não-conformidade em relação à percepção ou efeito
que está gerando. Assim, pode-se identificar e verificar como o modo de
falha provoca o defeito / não-conformidade e certificar-se de que a
contenção será ou não efetiva. A compreensão do problema, o que traz a
visão de que a contenção não é meramente um ato burocrático de
procedimentos. Na prática é questionar o que pode dar errado, que
fatores influem no processo / produto, como ele se interage, o que de
fato deu errado, entre tantas perspectivas. O passo cinco,
denominado Análise de Causa Raiz, ganha agora em resultado
prático. Tendo compreendido e aceito o modo de falha, a equipe poderá
avaliar sob três perspectivas chave: ocorrência, detecção e
planejamento. O objetivo é saber por que a não-conformidade / defeito
foi feita, e mais, porque foi enviada ao cliente e, ainda, porque o
sistema implementado contribuiu com elas. A análise de ocorrência está
relacionada com as ações que deveriam prevenir a causa –
afinal todo o planejamento de qualidade assim foi dimensionado. A
análise de detecção refere-se à possibilidade de proteger
através da verificação e controle – fortemente relacionado à implantação
que realizada. A análise de planejamento indica a capacidade da empresa
em prever as não-conformidades potenciais em seu sistema
da qualidade – muitas atividades foram conduzidas com esta finalidade no
planejamento de qualidade do produto. Este conjunto de informações deve
permitir a identificação de causas-raiz que abordem estas três vertentes
analisadas.
O passo seis –
Escolha e implementação de Ações Corretivas – trabalha na
definição de atividades que possibilite tomada de ação sob as três
perspectivas adotadas. As ações deveriam ser mais efetivas. Com isto, a
verificação de eficácia torna-se possível. A solução do problema é
percebida pelo cliente ou processo. O passo sete conjuga as ações
de Controlar e Padronizar. Após a comprovação de resultados
provenientes das ações corretivas implementadas é importante que se
possa monitorar e assegurar a continuidade do desempenho do processo e
somente assim remover as ações de contenção, pois o cliente ou processo
se manterá protegido. Este é o Agir (A) do PDCA. Para completar é
essencial que, as ações bem sucedidas sejam identificadas, replicadas e
institucionalizadas por toda a organização em processos e produtos
similares. É a construção de um novo item das lições aprendidas que se
consolida. A proposta é que neste passo seja encerrada a solução de
problemas e que se congratule a equipe que a executou – este é
normalmente o passo oito na metodologia 8D. Na prática temos os 8 passos
da metodologia revisitados de uma forma muito prática, objetiva e
direcionada para a ISO TS 16949:2002.
Ainda que o foco seja a ISO TS 16949:2002 o manual tem grande utilidade para outros segmentos
também, principalmente por propor uma descrição sumária de muitas
metodologias que são aplicáveis à solução efetiva de problemas. A
matriz, a seguir, proposta no manual do CQI-10 dá uma dimensão do que é
ofertado.

Outro aspecto abordado de
forma interessante é uma matriz para avaliação de competências para a
solução de problemas apresentada na seção 6 do manual. Os requisitos da
ISO TS 16949:2002 são descritos com a visão das necessidades para se
aplicar à metodologia. Uma redação valiosa para analistas de treinamento
e também para os profissionais da qualidade e auditores por interpretar
a solução de problemas com os requisitos normativos. A matriz proposta
analisa sob o ponto de vista do solucionador Novato (ou iniciante),
Usuário (praticante) e Especialista (capacitado a ensinar). As lacunas
são identificadas tendo como base a matriz de ferramentas citada e, num
processo de auto-avaliação é identificado o estágio em que o
profissional se encontra. O manual traz apenas o exemplo para o nível
básico de ferramentas. Mesmo havendo a sugestão de classificar com N, U
ou E, conforme se encontra qualificado o profissional acredito que
poderia se ponderar numericamente e, obter uma mensuração objetiva para
cada avaliado. De acordo com o nível desejado pela organização pode-se
providenciar ações adequadas de treinamento ou outras necessárias.
Torna-se um instrumento fantástico de planejamento.
Para a alta direção há um
poderoso questionário para Avaliação do Processo de Solução de Problemas
e que permite mensurar o estágio atual de atendimento à metodologia pela
organização. Com isto é possível fazer uma análise crítica fortemente
baseada no retrato fiel do que ocorre na organização. É importante
lembrar que uma metodologia de solução de problemas que seja eficaz é
requisito contratual de todas as empresas cliente além de ser requisito
das normas de qualidade existentes. Esta avaliação permite classificar a
empresa sob quatro categorias: cultura da solução de problemas; processo
de solução de problemas; implementação de Processo de Solução de
Problemas e Eficácia do Processo de Solução de Problemas. Com uma
metodologia de pontuação variando de 1 a 5 permite um raio X da situação
atual que se encontra a implementação e colabora para decisões de
correção ou de melhorias.
Finalizando, o apêndice B,
traz uma proposta de formulário totalmente ajustado à proposta
apresentada no CQI-10. Muitas organizações já utilizam modelos
semelhantes. Talvez este tenha sido o grande mérito do manual – adotar
as inúmeras experiências existentes no segmento automotivo. Vale a pena
analisar e aplicar as lições aprendidas neste manual.
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