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Qual é o papel da alta direção
na escolha de um RD? A escolha correta permite gerir um sistema da
qualidade realmente eficaz. O RD é o compromisso da alta direção perante
a qualidade e os funcionários. Todos precisam saber disto. Através de
responsabilidade e autoridade delegadas ao RD, o seu sistema da
qualidade torna-se efetivo. Preparar o RD continuamente e tê-lo como
parte da gestão da organização é a resposta que deve ser dada pela
direção.
Os sistemas de qualidade das organizações têm se caracterizado por uma
distância real entre a alta direção e os representantes da direção –
também chamados de RD. Sob a alegação de uso do gerenciamento por
delegação a alta direção se esconde atrás de um responsável escolhido a
dedo para gerir em seu nome tudo o que se refere ao sistema de gestão da
qualidade. Os RD´s têm permanecido alheios à gestão da organização e,
estáticos na função e, raramente têm acesso ao grupo diretivo para
discussões estratégicas da qualidade. Destacam-se aqueles RD´s que tomam
a iniciativa de ir além e desafiam as responsabilidades que lhe foram
designadas. Os momentos em que se discutem sistemas da qualidade são
específicos: auditorias de clientes, certificação, análise critica e
quando ocorrem reclamações por clientes diretamente à alta direção. Em
geral, por estarem muito abaixo na hierarquia os RD´s permanecem
passivos e muitas vezes acabam desautorizados quando estes problemas
tornam-se críticos. Até então, o RD atua solitariamente – uma luta de
Davi e Golias pois, os gestores intermediários também deixam de
acreditar no sistema da qualidade em preferência às suas estratégias
diárias. A qualidade torna-se uma tarefa burocrática e extenuante, refém
de si mesma.
Porque isto tem ocorrido? Muitos dos RD´s não são escolhidos
entre aqueles que conduzem o gerenciamento da organização. A função é
encarada como uma seqüência de atividades burocráticas e que requer
paciência para estudar as possibilidades que se aplicam à empresa.
Convenhamos que há atividades mais emocionantes. Ou seja, os ocupantes
das respectivas funções nas organizações diversas não estão imbuídos de
autoridade. Recebem apenas a responsabilidade. Usualmente autoridade e
responsabilidade acabam por serem confundidas. Tem responsabilidade
aquele que executa e, autoridade aquele que define estratégias e
disponibiliza condições para realizar. Por isto, é freqüente observarmos
RD´s que são subordinados ao gerente da qualidade ou mesmo a algum outro
gestor, quando na verdade este é quem deveria ocupar de fato a função
por possuir a autoridade. O ato de delegar visa muitas vezes
desvencilhar-se das supostas responsabilidades burocráticas – atas,
procedimentos, auditorias, ações corretivas. Em verdade, o gestor
poderia assumir a função e designar responsáveis por algumas destas
atribuições. O conhecimento das nuanças da norma poderia permitir
transitar adequadamente em todos os níveis garantindo respeitabilidade
ao sistema da qualidade.
Quando encontramos RD sem autoridade é um indicativo de que
o sistema da qualidade encontra-se debilitado. Muitas vezes, devido à
distância entre os níveis hierárquicos, o RD não sente-se competente e à
vontade para discutir estratégias e ações de forma adequada. Assim,
procura encontrar formas para contornar e evitar contatos com quem na
verdade pode lhe dispor recursos e apoio. Encontramos muitos que têm
medo de conversar com o senhor diretor, ainda que ele possa ser bastante
acessível. Em geram temem por sua posição se não forem bem sucedidos
junto aos diretores. Parece-lhe um ato de incompetência levar tais
assuntos para conversas com os diretores. Um RD sem autoridade acaba sem
grandes ações porque os participantes do sistema da qualidade sabem que
as ações da direção são distintas. Uma vez que muitas das vezes
aproveitam-se para favorecer-se da falta de conhecimento dos diretores
sobre o tema.
Deve-se começar por reconhecer que o dono do sistema da
qualidade é o diretor, o principal executivo da empresa / organização, o
número um. Ele tem o dever de zelar pela qualidade, como uma estratégia
de ofertar bons produtos e/ou serviços aos clientes. Portanto, ao
delegar sem autoridade a um funcionário qualquer, estará
comprometendo-se e prejudicando a sua própria estratégia de negócios.
Uma falha significativa poderá ser fatal para a organização – custos de
devoluções, recall, etc. Para manter um sistema da qualidade eficaz
deve-se delegar a um gestor cuja responsabilidade esteja associada à
autoridade. Autoridade para falar e agir em nome da direção. Responder
por ações, atividades, planos, como se fosse a própria direção. As
atribuições são descritas pela própria norma. A nova revisão ISO
9001:2008 manteve tais atribuições.
A fim de exercer esta figura de gerenciamento tão importante
para o sistema da qualidade a alta direção deve indicar o seu
representante (RD) de fato, escolhendo-o de seu corpo. Ou seja, deve ser
parte integrante ou passar a ser integrante do corpo executivo. Um
diretor, um gerente é quem deve ser o executor do sistema da qualidade.
Os auditores, aliás, deveriam requerer maior autoridade aos RD´s quando
avaliarem o requisito 5.5.2, pois, grande parte infelizmente está na
função ao invés de exercê-las como previsto. Uma lista de suas
competências e atribuições deveria ser preparada e, divulgada a todos
começando pelos demais gestores. O RD deve passar por um processo de
capacitação e aperfeiçoamento contínuo para que possa dar início a
atividades de gerenciamento dos requisitos da norma. O conhecimento
autoriza a interpretar os requisitos à luz do sistema da qualidade ao
qual deve responder. Isto propicia condições de realizar a interpretação
da norma juntamente com toda a alta direção. É comum encontrarmos
dificuldades em reunirmos os diretores e gerentes para tais eventos.
Portanto, deve-se programar eventos periódicos para transmitir e
discutir os elementos da norma aplicável. Este processo de aprendizagem
torna-se vital para o sucesso e para que a linguagem entre as partes
seja uniforme. Por isto que as ações ganham uma coerência real.
É relevante portanto que as organizações revejam quem são os
seus RD´s, quem são os profissionais que designaram e, passe a
prepará-los convenientemente. Acima de tudo que façam a escolha de forma
a atribuir-lhes também a autoridade. Se o seu RD não cumpre tais
requisitos faça um plano conjunto para que venha a se transformar e
executar verdadeiramente a função. Nunca esqueça que está é uma
atividade de gerenciamento e quem a exerce deve ter poderes para a
tomada de decisão.
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