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A abordagem por processos deve estar inserida no contexto da
organização. Não pode ser mera cópia do modelo proposto para a norma. É
necessário compreendê-lo e colocar em prática visando os resultados
monitoráveis pela alta direção. É nisto que a nova revisão ISO 9001:2008
aposta ao manter este requisito.
O conceito de abordagem por processos foi proposto pela ISO 9001:2000
como um modelo para o gerenciamento dos sistemas da qualidade. O
objetivo principal era construir um mapa das atividades que são
realizadas nas organizações. Assim, deveria ser o contraponto ao modelo
de tarefas (ou departamentos) proposto por Taylor e, adotado amplamente
como referência pelos gestores. Com isto, conscientes ou não, a ISO
9001:2000 deveria questionar o modelo de gestão em vigor para cada uma
das empresas certificadas. Parece que isto não deu muito certo. A
iniciativa do uso da abordagem por processos teve um sucesso parcial –
algumas poucas organizações assim se estruturaram, a grande maioria
definiu uma caixa preta em seus manuais da qualidade e, outra parcela
mantém uma relação conflituosa com os dois modelos de gerenciamento. O
fato, porém, é que a nova ISO 9001:2008 manteve o requisito de abordagem
por processos numa aposta que reflete a expectativa de sucesso futuro.
É
preocupante observar o uso de modelos inadequados de abordagem de
processos descritos nos manuais dos sistemas de qualidade de uma grande
parcela das organizações certificadas. Não agregam valor para a
organização. Tornaram-se um mal necessário. Uma parte simplesmente
copiou ou adaptou a figura proposta para o modelo de gerenciamento da
norma como se fosse válido para o seu próprio sistema da qualidade.
Outras construíram modelos que mais expressam uma Torre de Babel em que
os próprios gestores sentem muita dificuldade ao tentar explicá-los. E,
verdade seja dita, se não conseguem fazê-lo, como poderão demonstrar
resultados? Em resumo, fingem que atendem aos requisitos normativos
enquanto conduzem a organização de acordo com o modelo em que acreditam.
A conclusão é que os modelos de gerenciamento do sistema da qualidade
estão dissociados do gerenciamento das estratégias. São dois grupos
distintos de ação. No dia-a-dia prevalecem as bases das estratégias. Por
ocasião das auditorias tenta-se adaptar as decisões ao modelo descrito
no seu manual da qualidade. Ou melhor, tenta-se justificar. No fundo,
todos questionam: porque mantemos dois modelos? O que eu quero utilizar
é diferente daquele que a norma requer! Será?
O
modelo de divisão por tarefas, embora tenha se tornado um paradigma de
gestão, tem sido questionado para a adoção de outros modelos que hoje em
dia são mais eficazes. A estruturação histórica adotada nas organizações
deixa rastros de dúvidas aos gestores. A ISO 9001:2000 só fez aumentar
este debate. No entanto, por questões de prazos e a necessidade de
apresentar um certificado que avalize seus negócios fez com que qualquer
coisa seja bem-vinda e, torna-se válida. Ainda que seja conflitante com
os princípios adotados pela alta direção.
A
proposta é que as organizações enxerguem o gerenciamento do sistema da
qualidade como parte integrante do seu modelo de gerenciamento
estratégico. O que é fato e verdade. A qualidade é um dos seus
componentes e, assim deve ser vista, o tempo todo. O modelo de qualidade
proposto é amplo e, passa por toda a organização. É preciso deixar de
lado a idéia de inspeção e controle de qualidade como uma definição do
conceito de qualidade. Quando realmente a gestão da qualidade fizer
parte das estratégias da organização, o primeiro passo para um modelo
efetivo estará dado.
O
passo seguinte é descrever as unidades de gestão que contribuem para a
qualidade estratégica requerida ou almejada. Tais unidades de gestão são
chamadas desde a ISO 9001:2000, de processos. Para descrever as unidades de
gestão é importante visualizar e compreender o negócio da empresa
/organização, seus princípios e valores, o segmento em que atua
considerando legislação e exigências do mercado. Depois, ordene-os numa
seqüência lógica e, estabeleça a inter-relação entre elas de forma
coerente e real. Não esqueça das unidades de gestão que serão utilizadas
como apoio / suporte às unidades principais e também aquelas que serão
base para o gerenciamento e monitoramento de todas as estratégias e
gestão. Estará assim, construindo um modelo de abordagem por processos
diferente da simples cópia da norma e, principalmente que se alinha
estrategicamente com a gestão da organização. E, este é o verdadeiro
objetivo.
Com um
modelo de gestão efetivo e, que descreva verdadeiramente a estrutura
adotada é, possível associar os requisitos normativos a cada um deles e,
descrever cada unidade de gestão (processos) como realmente são
conduzidas suas atribuições. Acrescente-se alguns requisitos de ordem
técnica para evidenciar o sistema da qualidade e, teremos o manual de
gestão da qualidade. Pronto para usar de fato e de direito! Mais do que
descrever os requisitos da norma adotada é importante que esteja
inserido no planejamento estratégico, reiteramos. Esta visão torna o
sistema da qualidade gerenciado e monitorado pela direção e seus
executivos em todos os níveis. Seus responsáveis, em cada unidade de
gestão, irão adotar estratégias e decisões que vão de encontro às metas
e objetivos junto aos clientes e acionistas. Estará configurado assim um
sistema de qualidade que merece o certificado ISO 9001:2000 e,
brevemente o novo certificado ISO 9001:2008!
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